• Documentos comprovam uso de dinheiro vivo para pagar obra de filha de Temer

    Foto :Mastrangelo Reino | Folhapress
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    09/06/2018 - 07:00

    Depoimento de um fornecedor liga um depósito em espécie a um contrato assinado pela filha do emedebista e um extrato bancário mostra que o depósito ocorreu de acordo com o contrato

    Documentos em poder da Polícia Federal comprovam o uso de dinheiro vivo no pagamento da reforma da casa de Maristela Temer, filha do presidente Michel Temer, segundo informações da Folha de São Paulo. Temer é investigado pela PF sob a suspeita de lavagem de dinheiro através de reformas em imóveis de familiares e em transações imobiliárias em nomes de terceiros, na tentativa de ocultar bens. Um depoimento de um fornecedor liga um depósito de R$ 56.500,00 em espécie a um contrato assinado pela filha do emedebista e um extrato bancário mostra que o depósito ocorreu de acordo com o contrato. O valor seria a primeira parcela de uma prestação de serviço para a obra no imóvel de Maristela, em São Paulo. O fornecedor diz ainda que o pagamento em espécie ocorreu a pedido da arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel João Baptista Lima Filho, amigo do presidente e suspeito de intermediar as propinas para o governante. Os papéis foram entregues à PF por Antonio Carlos Pinto Júnior, que prestou depoimento no dia 29 de maio. Sua empresa, Qualifac, Fac Comércio de Acabamentos Ltda, foi um dos fornecedores da obra de Maristela. Entre os papéis entregues pelo depoente está o contrato de prestação de serviço entre a empresa e Maristela. Ela assina o documento ao lado de Pinto Júnior, em que aparece o nome da mulher do coronel no cabeçalho do orçamento. O documento detalha o orçamento de R$ 120.960,00, prevendo uma entrada no valor de R$ 56.500,00, no dia 11 de julho de 2014. Pelo contrato, esse pagamento de R$ 56.500,00 seria feito por meio de "depósito em dinheiro" em uma conta do Citibank, o que de fato ocorreu, segundo extrato da empresa. Ela teria "insistido" para repassar em dinheiro vivo os recursos, "o que não foi aceito pelo depoente, pois não aceita essa prática de recebimento em espécie em sua loja", diz trecho do depoimento, além de relatar que "não é normal" no ramo a "insistência" por valores altos em dinheiro vivo. Outros fornecedores da obra já declararam terem recebido em dinheiro vivo de Maria Rita, mas o extrato é o primeiro documento que vincula a prática de pagamento ao caso.