• Festas de Fim de Ano: Crise afeta municípios em todos os sentidos

    Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia
    Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia
    Por Willian Silva

    02/01/2018 - 15:37

    A crise, que parecia ter sido contornada, segundo o presidente Temer, quando anunciou o crescimento minúsculo de 1%, afetou as festas de fim de ano. Com o aumento da gasolina 1,7%, anunciado no apagar das luzes de 2017, quem viajou no Réveillon, trocou o carro pelo ônibus.  Quem vai de Caetité até Porto Seguro, no litoral sul baiano, por exemplo, gasta com combustível em torno de R$700, entre ida, volta e locomoção com o veículo pela cidade litorânea.  Com o ônibus, pela Viação Novo Horizonte, a passagem fica em torno de R$ 60 por pessoa, já com a taxa de embarque inclusa, o que torna a viagem mais barata. Muitos em Caetité preferiram o Natal e a passagem de ano em casa, com a família, tentando economizar para não entrarem em 2018 no arrocho. Outros curtiram o réveillon em Guanambi com atrações nacionais patrocinados pela prefeitura. Quem realizava ceias mais fartas e com muitos presentes, esse ano, ficou só na ceia, mesmo assim optando por itens mais em conta. Algumas famílias substituíram o tradicional peru por chester ou até mesmo um frango assado. Em algumas cidades brasileiras, as prefeituras ou deixaram de realizar as festas de fim de ano ou reduziram custos com atrações musicais e decorações natalinas. Na Bahia, por exemplo, conforme apurou o G1, a queda da arrecadação em Vitória da Conquista fez a prefeitura cancelar neste ano o Natal da Cidade, festa com programação musical e apresentações culturais que acontecia desde 1997 – ano passado foram cinco dias de festa. Barreiras não teve decoração de Natal nem apresentações culturais. Em Feira de Santana, foi reduzido o investimento no Natal Encantado. Neste ano, a festa custou cerca de R$ 700 mil – ano passado foi R$ 1 milhão. Para completar o “presente” do governo Temer, duas surpresas: o repasse de R$ 2 bilhões prometido para as prefeituras conseguirem fechar 2017 sem dívidas, foi suspenso na quinta (28) em que o pagamento seria efetuado. Os municípios foram avisados que o dinheiro não sairia. Agora a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) fará pressão para que o dinheiro seja repassado aos municípios o que, em tese, garantiria um alívio na hora de fechar as contas. O outro brinde é o aumento do salário mínimo para 2018. Em Outubro, o governo havia anunciado o salário mínimo de R$965. Dias depois recuou e fixou para 2018, o salário de R$954, ou seja, um aumento de apenas R$17. O menor aumento em 24 anos. Com a medida, a estimativa do governo é economizar R$3,3bi. A volta do recesso da Câmara Federal e do Senado reserva outra surpresa para nós, brasileiros: a Reforma da Previdência. Propaganda na TV, custeada com o nosso dinheiro, jura de pé junto que a reforma não trará prejuízos para ninguém. O governo garante que a reforma é necessária para que os futuros aposentados possam receber as suas pensões. Elevemos aos céus as nossas preces para que isso não aconteça. E 2018 ainda teremos as Eleições para presidente, deputados, senadores e governadores. A previsão menos pessimista é de um segundo turno com Lula e Bolsonaro. Aumento da gasolina, repasses aos municípios cortados por Temer, Reforma da Previdência, Eleições Federais e Estaduais, pior aumento mínimo do salário mínimo, desemprego, Bolsonaro candidato a presidência... A crise parece não ter fim.