• Senta que lá vem textão! Melhor, "leiturona"

    Foto: Mauri Oliveira | Sudoeste Bahia Foto: Mauri Oliveira | Sudoeste Bahia
    Por Mauri Oliveira

    30/10/2019 - 13:14


    Sabe o que tenho notado nas plataformas das redes sociais de nossa Caetité? Um empobrecimento dos debates, sobretudo em questões políticas. Em suas individualidades querem ter o domínio absoluto de seus pontos de vista, que para eles representam a verdade absoluta. Propagando assim rivalidades intrínsecas a cultura local. Isso revela uma de nossas mazelas históricas, o baixo índice de leituras. É perceptível, que o repertório amplo de leituras contribui para o aprimoramento do espírito crítico do cidadão. O que é a realidade senão a leitura que fazemos dela? Inclusive, é sobre essa realidade que não lhe falaram sobre o hábito em se ter prazer de ler; não apenas livros, mas "ler" as relações humanas. Correlacionar os autores e suas obras à contextos característicos ao modo de ser e estar na sociedade contemporânea. É preciso investigar a sociedade em seus amplos aspectos para compreender a vida. Segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro.

    Foto: Mauri Oliveira | Sudoeste Bahia
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    O levantamento aponta que a média de obras lidas por pessoa ao ano é de 4.96. Desse total, 2.43 foram terminados e 2.53 lidos em partes. Quero saber de você leitor o que pensa sobre as causas desse fenômeno. Seria porque o livro na escola é sempre encarado como objeto apenas para fazer uma prova e tirar boa nota? Leem por prazer e vontade ou porque o colégio exigiu? Seria falta de incentivo familiar ou próprio sistema de ensino não propicia o hábito da leitura? Olha! Nossa vida e a escassez de tempo estão transformando nossa forma de viver. A calmaria deu lugar ao instantâneo, a geração do agora. O celular se tornou uma extensão do nosso próprio corpo, como previa Marshall McLuhan de 1969 e tão atual não é mesmo? Nesse contexto, as plataformas das redes sociais surgem como forma de atuar sob interesses econômicos, assim foram feitas para nos seduzir e ainda dar voz a ódio e opressões. Imersos no caos, naufragamos. O resultado são as metralhadoras de fake news, verdadeiras barbaridades compartilhadas pelas redes.

    Foto: Mauri Oliveira | Sudoeste Bahia
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    Além da preguiça de aprofundarem nos assuntos, pois não leem. Ficam nas manchetes e já classificam-se sabedores e opiniões formadas. Também temos um enorme contingente de leitores analfabetos, os quais sabem ler, mas não conseguem interpretar o conteúdo, acabando por compartilharem essas notícias falsas. Considero que sem a leitura plena, a educação fica prejudicada. Por exemplo, nos vestibulares, exames de ENEM, concursos, há uma grande quantidade de respostas erradas por falta de interpretação das questões. Ontem (29), comemoramos o Dia Nacional do Livro e hoje (30), vim incentivar os estudantes do Grupo Escolar Senador Ovídio Teixeira sobre a importância dessa identidade leitora. Confesso que é um desafio. Especialmente por compreender as vivências da Escola Pública e de como é uma dualidade exercer a profissão de professor: árduo ao tempo que transformador. Agradeço a Secretaria de Educação por meio da Instituição de Ensino, GESOT por potencializar espaços de fala alusivos ao tema.

    Foto: Mauri Oliveira | Sudoeste Bahia
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    O Projeto de Leitura da Escola é uma iniciativa dos professores de Língua Portuguesa, apoiados pela direção da Instituição. Certamente nosso Anísio Teixeira orgulharia muito ao ver cenas como essa. Deixo um alerta, para trocarmos nossa culpa de ler pouco pela responsabilidade em ler mais. Espaços propícios a isso nossa Caetité se destaca, Biblioteca Cézar Zama (Bairro Buenos Aires), Biblioteca Anísio Teixeira (Centro), além de acervos fantásticos nas escolas públicas e privadas, do mesmo modo há tantos e-books que a internet disponibiliza para você. Faz-se necessário uma maior valorização a esses ambientes. Há quanto tempo você não visita uma biblioteca? Como estão suas leituras? Quantos livros você ler por semana? Quais títulos marcaram sua vida? Uma ação social que merece nossos aplausos é o da professora Luciete Bastos, a qual criou no Bairro Alto do Cristo a Sala de Leitura Bonequinha Preta com o intuito de fortificar nossa cultura e educação. Que projetos como esse possam ser realidades constantes na cidade. Então, só assim poderíamos ter a oportunidade de mudar, ao menos localmente a realidade de nossas opiniões das redes sociais às redes humanas.

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