• Caetité: Moradores da comunidade de Lagoa de Félix Pereira fazem protesto e bloqueiam via de acesso de empresa; Justiça determina que manifestantes fiquem a 2km das obras

    Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia
    26/08/2019 - 18:33


    De acordo com o vereador João do Povo cerca de 50 residências sofre com os impactos provocados pelas empresas que trafegam diariamente pela região. 

    Desde a manhã da última sexta-feira dia (23), moradores da comunidade de Lagoa de Félix Pereira, zona rural de Caetité, bloqueavam a estrada vicinal que dá acesso ao canteiro de obras da empresa Perimetral – terceirizada da Andrade Gutierrez, que realiza a construção da Subestação Igaporã 3. Os manifestantes alegam que o trânsito de máquinas pesadas e demais veículos tem causado muita poeira, além de abalado as estruturas de várias casas, que tem apresentado rachaduras (veja a foto). Além disso, cobram emprego para moradores da localidade, questionando o fato de muitos dos trabalhadores contratados serem de outros municípios. Ao meio dia desta segunda-feira (26), através de uma liminar concedida pela justiça à empresa Perimetral – que alegou estar recebendo ameaças e tendo prejuízos com o bloqueio  –  foi determinado que os manifestantes  ficassem a no mínimo 2km do perímetro da obras, sem obstruir ou dificultar o acesso, entrada ou saída, de veículos, prepostos, funcionários, ou máquinas  ao canteiro de obras. Caso a medida seja descumprida, haverá multa diária de R$ 500. 

    Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia
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    De acordo com o vereador João do Povo, em entrevista ao Sudoeste Bahia, nas localidades de cabeça da Vargem e Lagoa de Félix Pereira – que estão no entorno da obra – cerca de 50 residências sofre com os impactos provocados pelas empresas que trafegam diariamente pela região. Ele ressalta que está ao lado do povo, quer dialogar e aguarda o posicionamento de um representante da Perimetral. Disse que, em relação a rachaduras nas casas, solicitará uma pericia técnica ao prefeito, para verificar qual a responsabilidade de cada empresa que por ali passa. Como também, gostaria que as próprias empresas realizassem vistorias técnicas para avaliar os possíveis danos. Citou, que se comprovados os danos, eles tem que tomar as medidas necessárias, caso não seja, entrará junto com os demais vereadores com ação na justiça. Durante a entrevista, moradores da localidade também se manifestaram. O senhor Antônio Pereira disse que a comunidade quer uma negociação entre empresa e os moradores, para que a estrada seja molhada – evitando assim a poeira –, vistorias nas casas e reparos de danos nas que estão com estruturas abaladas (rachando), devido ao trânsito de máquinas pesadas, e emprego para os moradores da comunidade local. A senhora Maria Nilza, que reside na comunidade há mais de 60 anos, afirmou que a poeira prejudica muito, causa problemas respiratórios, mas que o maior problema ainda é as rachaduras nas casas. “A casa chega a estralar quando passam carros pesados. Tenho medo da minha casa desabar com a gente dentro. Chego a me arrepender de ter construído minha casa aqui, nunca esperei que fosse acontecer o que está acontecendo hoje”, lamenta a senhora.  A advogada Rosana Gondim, que segue a comissão da Câmara de Vereadores para o acompanhamento dos trabalhos da Bahia Mineração – Bamin e de empresas de energias eólicas no município de Caetité, declarou que a Perimetral assegurou que há mais de 70% de mão de obra contratada em Caetité, através do Sine Bahia, mas que iria acompanhar e conferir os cadastros para analisar se as contratações são preferencialmente da região de Caetité. Ressaltou que entende que há mão de obra especializada que precisa vir de fora, mas fará o possível para que haja o maior número possível de contratações do município. 

    Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia
    Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia

    Para o vereador Júlio Ladeia, as reivindicações da comunidade são plausíveis e fáceis de serem atendidas. Segundo ele, falta à empresa comunicação e sensibilidade humana, pois é fácil perceber que a comunidade é muito impactada. Reforçou que as atitudes a serem tomadas pela Perimetral são muito aquém das possibilidades da empresa, ressaltando que o que há é um descaso com a população de Caetité. “É necessário conversar com o povo e assumir a responsabilidade de reparar os danos físicos e morais, além disso, a mão de obra a ser absorvida aqui não vai impactar em nada, é uma questão de bom senso e solidariedade humana”, disse o vereador à reportagem do Sudoeste Bahia. Em relação à decisão liminar garantida a empresa Perimetral, o vereador destacou que a questão não é apenas os moradores da comunidade querer um emprego – mesmo que este seja um fator muito importante – mas tem que se observar, com urgência, o fato das casas estarem com as estruturas abaladas e a quantidade de poeira que absorvem. Disse respeitar a decisão da justiça e o direito da empresa de se defender da manifestação, porém, encara como truculenta a decisão. Para ele, o fato de solicitar 2km de distância dos populares do canteiro de obras é o mesmo que pedir para saírem  de suas de suas casas, pois muitas delas ficam a menos de 500m do canteiro de obras. Alegou considerar o pedido da empresa incoerente com a realidade e que usará a Tribuna Câmara de vereadores para dizer a população como o povo de Caetité está sendo tratado. Ouça a fala do vereador.

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