• Ator caetiteense fala sobre políticas públicas na cultura: “o gestor deve ouvir seu povo”; ouça a entrevista

    Foto: Reprodução | Facebook
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    Por Willian Silva

    12/02/2019 - 11:00

    O grande sábio chinês, Confúcio, disse o seguinte: “A cultura está acima da diferença da condição social.” Porém, num país com dimensões continentais feito o Brasil, infelizmente, a cultura não está tão acessível a todos, à apenas uma singela parcela. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha em 2018, apenas um terço (32%)da população brasileira frequenta eventos gratuitos. Em entrevista ao Sudoeste Bahia, Fernando Dias, que é ator e trabalha na Casa Anísio Teixeira, falou sobre as políticas públicas na Cultura. Como se espalha pela região, Caetité é considerada a “Terra da Cultura”. Ternos de Reis, Lavagem da Esquina do Padre, São João, 2 de Julho, Festa de Santana entre outras, fazem parte de um calendário cultural vastíssimo em nosso município. Porém para “Nando”, nem sempre Caetité foi assim. “Caetité é uma cidade que todo mundo diz ser a terra da cultura. A memória do município gira em torno de uma história, de uma memória, de pessoas que contam essa história, de memorialistas. Então, já faz parte do município acreditar que existe um diferencial entre o caetiteense, culturalmente falando, e pessoas que vêm de outras cidades e de outros lugares. Eu questiono o pouco disso. Se a gente for pensar na prática, pra o muito que viveu a cidade no século passado, os espaços de fruição cultural, eram espaços muito limitados, onde você precisava ser letrado, onde você precisava ter a cultura erudita. Não era todo mundo que tinha acesso, acesso à educação. Não era todo mundo que frequentava os espaços. Estes espaços eram mantidos por uma elite, uma aristocracia. Um pessoal que ainda mantém um certo ranço de que Caetité já foi algo, que talvez nem tenha sido. Essa forma que era tratada no século passado era muito diferente do que é hoje.” Perguntado sobre quais impactos positivos na Secretaria de Cultura com a nomeação da vice-prefeita Jaquele Fraga, Nando avalia como positivo. Segundo ele, a nomeação de Fraga foi uma questão democrática. “A questão da nomeação primeiro é a questão da democracia. Segundo, a gente precisava entender qual era o nosso papel.  O governo municipal deixou a secretaria de cultura vaga, a ‘céfala’, sem secretário ou secretária. Então, teve dificuldades na mudança do governo passado para esse (governo), dificuldade como contenção de despesas, etc. Nós realizamos a eleição, porque os que estavam, o mandato havia vencido”. Segundo Nando, esse mesmo Conselho conseguiu um reunião com o prefeito, visando a possibilidade da indicação do secretário (a). Com isso, surge o nome da vice-prefeita Jaquele Fraga. Para Nando desde a indicação de Fraga, ela começou a entender o que era necessário para fomentar a cultura no município, no tocante as reivindicações da classe artística de Caetité. Nando ressaltou que a secretária Jaquele, realizou bons avanços. De acordo com o ator, um destes avanços foi a realização do Fórum Municipal de Cultura em 2018. “Levamos uma lista de seis pontos que eram importantes para aquele momento. Quando ela percebeu do que se tratava, ela começou a seguir item por item, atingir meta por meta e começou a cumprir todas as exigências que eram necessárias para reestruturar a secretaria de cultura.” Perguntado sobre como seria as políticas públicas essenciais para contemplar a sociedade como um todo, Nando é enfático em dizer que deve-se “ouvir seu povo. E essas instâncias para ouvir o povo, elas existem. Uma delas é o Fórum Municipal de Cultura; a outra é o próprio Conselho Municipal de Cultura. O outro é respeitar a memória. A Secretaria de Cultura não tem 10 anos que foi criada. Então ela é mais caçula. Você não pode mudar um governo pra outro, pra entrar uma secretária ou secretário novo, sem saber o que estava acontecendo antes. Então, o ideal, o que eu acredito é que o Poder Público ouvisse o seu povo”. Ouça a entrevista completa.

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